Quando pequena, eu não dava trabalho a minha mãe, mas, depois que cresci, as coisas mudaram. Mamãe sempre deixava seus remédios sobre a mesa, e eu nunca mexi, ela sempre dizia que seus depressivos me tirariam a vida. Lembro-me como se fosse ontem, todos os dias que ela chegava do trabalho eu pedia que brincasse comigo, mas nunca tinha tempo. Ora ela precisava cozinhar, ora era outra coisa na qual fosse mais importante do que minhas brincadeiras. E assim, cresci. Sozinha. Lembro-me que a casinha de minhas bonecas ficava nas duas ultimas partes da coluna central do guarda-roupas, eu me sentava no chão enquanto todos se sentavam na sala para assistir a novela das 20hrs, e brincava sozinha. O silencio da brincadeira tomava conta do quarto...e de mim também. Eu nem se quer abria a boca para fazer as vozes das minhas Barbies, sempre fui muito discreta, e uma boneca conversava com a outra através da minha mente. As deixei de lado aos meus 12 anos de idade. Foi quando eu comecei a me interessar por outra coisa...Garotos! Nunca pensei que conseguiria um namorado. Sempre fui “largada”. Nunca gostei de me maquilar, me vestir como “menininhas”, cheio de glitter e muito rosa. Um simples jeans e uma blusa básica, me fazia sentir confortável. E eu adoro conforto. Num certo evento anime, conhecido como Anime Dreams, eu conheci um garoto chamado Uitas, Leonardo Uitas... Ele era amigo, do amigo da minha amiga, rs. Eu e minha amiga Beatriz, quando nos perdíamos nos eventos (afinal, era muita gente), íamos direto para a barraca de Muphy, assim nos encontraríamos novamente. Justo nesse dia eu me perdi, então fui ao ponto de encontro, e não era a Beatriz que me esperava...Era o Uitas. Cabelos claros, olhos azuis, pele clara. Fiquei extremamente sem graça quando ele sorrio pra mim e disse “ Vê se não se perde de novo garota.” No Anime Dreams, há sempre um local reservado, com árvores, flores, um espaço para quem gostaria de dar uma namoradinha, e ele me levou até lá. Perguntei se o resto dos meus amigos estavam lá e ele respondeu que não. Ele segurou meu rosto com suas mãos brancas e disse que eu era linda. Fiz uma cara de “Ãh?” (afinal, eu sempre me achei ridícula), ele tentou me beijar mas eu recusei. Eu nunca havia beijado alguém antes. Fiquei envergonhada e mudei o assunto, quase implorando para ele me levar até meus amigos. E assim foi feito. Quando estávamos indo embora, ele me puxou e pediu meu telefone. No dia seguinte ele me ligou, e me ligou depois, e depois e depois... Até que um dia eu senti um frio na barriga ao atender a ligação dele e percebi que estava prestes a ter minha primeira paixonite *-* Marcamos de nos encontrar e foi onde tudo aconteceu. O primeiro beijo da menina largada... Depois de um tempo, ele me vem com um par de alianças, me pedindo em namoro sério e eu aceitei. Passamos ótimos momentos, era raro brigarmos e foi uma das melhores épocas da minha vida. Até um dia a ex namorada dele aparecer ¬¬ Ela me ligou, dizendo que ele apenas tinhas segundas intenções comigo e logo quando ele conseguisse o que queria, me daria um fora. Passei cerca de 2hrs chorando, e incrédula com aquilo. Aliás, ele estava esperando mais de um ano para tentar algo a mais comigo. E eu jamais permiti se quer que a mão dele subisse ou descesse de minha cintura. Se ele tinha apenas essas intenções comigo, teve muita paciência, pois nunca conseguiu nada. Ele sempre me respeitou muito. Era por volta das 22hrs, quando decidi pegar uma caixa azul que ganhara dele, dentro, havia inúmeras cartas, fotos, bilhetes, papéis de bombons que ele me dera, o nosso diário, onde escrevíamos os melhores dias que passávamos juntos e etc. Coloquei dentro de minha mochila, sai de casa sem avisar meus pais, carregando a blusa dele nos meus braços, e fui até onde ele morava. Toquei a campainha e ele abriu a porta, quis me abraçar, pois me viu chorando, e eu recusei, apenas joguei a blusa e a caixa nos braços dele e fui embora sem dizer nada. Ele me procurou, mas não o recebi em casa, ele me ligava, mas não atendia, me mandava e-mails, mas não respondia. Apenas sai da vida dele. Depois de alguns dias me veio o pensamento: " De volta a vida vazia e solitária... A mesma que eu tinha quando era criança."